Por falar em Passione...
Não sou muito de novela, mas... entrei com tudo em Passione do Silvio de Abreu. E - quem diria! - eu, bem eu, que acho quase sempre duvidosos esses figurinos "novelescos", me espanto & me encanto, com o visual dos personagens, pertinentes/impertinentes/inteligentes/bem feitos.
Pessoas contraditórias que vivem em planetas diferentes, quentes/frios, ricos/pobres, tôscos/sofisticados, entram em cena. E cada uma parece "de verdade", ela mesma, (feirante, camponesa, madame jet-set etcetc...) e não mais uma "humanóide encadernada".Dificil conseguir isso, até na vida real quanto mais em personagens, sejam de teatro, de cinema (ai, que saudade da Edith Head...), ou de telenovelas. É preciso talento, ôlho atento, sensibilidade para - pouco a pouco -desenhar o perfil da alma e do corpo de cada personagem, quem ele é, onde e quando ele vive, cada detalhe, cada reação, cada gesto.
Gogoya e Rosana conseguiram! O figurino de Passione "transborda", sabe como? Eu "transbordei!

Fernanda Montenegro (Beth) dá show de chiqueria: coat super tailored, maxi-cachecol lindamente colocado, calças molengas, bijoux discretos e acessórios classudos, sem a menor peruice. A coleção de óculos escuros é de "morrer" de inveja...Ui!
Aracy Balabanian (Gemma) é a própria italianona tosca, "campesina" meio carola/ beata. Seu casaco - mal feito - é obra da costureira do vilarejo, o cardigan rústico foi tricotado por uma vizinha, as estampas das écharpes, cópias baratas dos antigos prints do Lago di Como e as camisas compradas no marché local. Não podia ser mais perfeito.

Mariana Ximenes (Clara) abafa como garota de programa, vulgar até não poder mais. Tecidos brilhosos, decotes avançados, jeans colados, bijouteria "roubada"? Como enfermeira vira anjo branco, uniforme extra-clean, carinha de santa do pau ôco.

Cleyde Yáconis (Dona Brigida), milionária de época, acredita com força no seu casaqueto Chanel e no tempo da mis-en-plis, lembra? Os cabelos ficavam estufadinhos, durinhos e... inabaláveis! Força na peruca, queridinha. E no laquê!
Mayana Moura (Melina), patricinha crônica, chega bancando a estilista, profissão típica de riquinha desocupada.Lindalindalinda, "carrega" como ninguém tanto modelitos sofisticados, nervurados, "fitilhados", quanto fazendo clima esportivo (lembra daquela cena no parque??). Luxo e mais luxo, always.

Vera Holtz (Candê), prontinha para vender suas verduras fresquissímas, "acabaram de chegar". O figurino-feirante arrasa. Vestidos de jérsei, estampas horrorosas, lembram as da Vigotex, anos 70, que - aliás - eram consideradas "líndimas" naquela época. Jaléco branco, com nome bordado e tudo, colarzinho-falsinho prendendo os óculos, corrente de medalhinha, tudo nos "trinques" da Candê. Sem falar na bolsa fuleira, alça de bambú, florões recheados. Figurino impecável. Abalou!

















